Glossário¶
Cada termo traz uma definição curta e, entre parênteses, a aula em que ele é explicado com calma. Termos com nome em inglês aparecem como são usados na área, com a tradução ao lado. Os nomes em fonte de código são colunas, testes ou comandos do PlanetHunter.
A¶
Alias. Período errado que é múltiplo ou fração do verdadeiro (P/2, 2P, P/3, 3P...). Aparece porque, com poucos trânsitos e lacunas nos dados, vários períodos "encaixam" quase igualmente bem. O PlanetHunter testa aliases na busca (refine_alias) e no crossmatch. (B2, M3)
Ano-luz. Distância que a luz percorre em um ano: cerca de 9,46 trilhões de km. Apesar do nome, mede distância, não tempo. (B1)
Anã vermelha. Estrela do tipo espectral M: pequena (0,1 a 0,6 R☉), fria e pouco brilhante. É o tipo mais comum de estrela da galáxia e o melhor para achar planetas pequenos por trânsito. (B1, B2)
Aprendizado de máquina. Programas que aprendem padrões a partir de exemplos rotulados em vez de regras escritas à mão. Na área, redes neurais classificam sinais de trânsito como planeta ou falso positivo; as revisões feitas com planethunter review são os rótulos do futuro classificador do projeto. (A4)
B¶
Benchmark. Teste padronizado que mede o desempenho do sistema sempre do mesmo jeito, para comparar versões. O benchmark de recall do PlanetHunter usa 135 TOIs detectáveis do setor 69. (A5)
Binária de fundo. Binária eclipsante fraca que fica quase na mesma direção do alvo, no mesmo pixel ou em pixels vizinhos. Os eclipses dela aparecem diluídos na luz total e imitam o trânsito raso de um planeta no alvo. (B4)
Binária eclipsante (EB). Duas estrelas que orbitam uma à outra com a órbita alinhada conosco, de modo que uma eclipsa a outra. É o falso positivo mais comum; denuncia-se por formato em V, eclipses ímpares e pares diferentes e eclipse secundário. (B4)
Biweight. Filtro robusto usado no detrending: estima a tendência lenta do brilho numa janela móvel, sem se deixar levar por pontos fora do padrão como os do próprio trânsito. O PlanetHunter usa a versão da biblioteca wotan, com janela de 1 dia. (M4, A1)
Blend. Mistura da luz de duas ou mais estrelas na mesma medida. Ver contaminação. (B3, B4)
BLS (Box Least Squares). Algoritmo clássico de busca de trânsitos: testa muitos períodos e, para cada um, ajusta uma "caixa" (queda retangular) aos dados dobrados. Proposto por Kovács, Zucker e Mazeh em 2002. (M3, A1)
Borda de órbita. Início ou fim de cada órbita de 13,7 dias do TESS, onde aparecem rampas de brilho ligadas a mudanças de temperatura. Rampas mal removidas imitam trânsitos; o teste edges_dumps desconfia de trânsitos que caem nelas. (B4)
BTJD (Barycentric TESS Julian Date). Unidade de tempo do TESS: dias desde uma data de referência (BJD − 2 457 000), corrigidos para o centro de massa do Sistema Solar. Todos os tempos do PlanetHunter estão em BTJD. (B3)
C¶
Cadência. Intervalo entre duas medidas seguidas de brilho. O TESS fornece curvas de 20 s e de 2 min para estrelas selecionadas, e imagens completas a cada 200 s (antes, 10 e 30 min). (B3)
Candidato. Sinal que sobreviveu ao vetting e merece atenção, mas não é planeta. Na escada do curso: sinal → candidato → CTOI → TOI → validado → confirmado. (B3)
CBV (Cotrending Basis Vectors). Padrões de variação comuns a muitas estrelas do mesmo detector, causados pelo instrumento. Subtraí-los remove sistemáticos compartilhados sem apagar a variação própria de cada estrela. (M4)
Centróide. Posição média da luz de uma estrela na imagem, como o "centro de gravidade" do brilho. Se ele se desloca durante o trânsito, a queda provavelmente vem de uma estrela vizinha; é o teste centroid. (B4, M5)
Classe do crossmatch. Resultado da pergunta "já existe?": KNOWN_PLANET (planeta confirmado), KNOWN_TOI e KNOWN_CTOI (já é candidato), KNOWN_FP (falso positivo ou binária catalogada), NEARBY_KNOWN (vizinho conhecido com o mesmo período), NEW (nada casou) e UNVERIFIED (seria novo, mas algum catálogo está velho). (B3, B5)
Completude. Fração dos planetas reais, de certo tamanho e período, que o sistema consegue achar. Mede-se com injection-recovery. (A5)
Contaminação. Luz de outras estrelas misturada à do alvo na mesma medida, consequência do pixel grande do TESS. Um sinal "do alvo" pode vir de uma estrela contaminante. (B3, B4)
Crossmatch. Comparação de cada sinal com os catálogos de objetos conhecidos, para saber se ele já foi registrado. O PlanetHunter casa por estrela (número TIC ou posição até 21″) e por sinal (período com aliases e trânsito a trânsito). (B3, B4)
CROWDSAP. Número entre 0 e 1, calculado pelo pipeline SPOC, que estima a fração da luz na abertura que vem do próprio alvo. Valores bem abaixo de 1 indicam muita contaminação. Aparece na seção Parâmetros do dossiê. (B5, M4)
CTOI (Community TOI). Candidato submetido ao ExoFOP por alguém de fora da equipe do TESS. Pode ser promovido a TOI. É o destino de um bom candidato do PlanetHunter. (B3, A6)
Curva de luz. Gráfico do brilho de uma estrela ao longo do tempo. É o dado bruto de toda a busca por trânsitos. (B2)
D¶
Densidade estelar. Massa da estrela dividida pelo volume. Junto com o período, ela determina quanto um trânsito deveria durar; um trânsito longo ou curto demais para a estrela sugere que o sinal vem de outra estrela. É a base do teste duration. (M2)
Desvio padrão (σ). Medida de quanto os valores se espalham em torno da média. Em curvas de luz, o desvio padrão dos pontos fora do trânsito é o ruído. (M1)
Detrending. Remoção da variação lenta do brilho (rotação, manchas, efeitos do instrumento) para deixar os trânsitos visíveis. Se a janela do filtro for curta demais, ele "come" o trânsito: com 0,5 dia, um trânsito de 5 h perde 40 % da profundidade; com 1 dia, 6 %. (B4, M4, A1)
Disposição do TFOPWG. Situação de um TOI registrada pelo grupo de acompanhamento: PC (candidato a planeta), APC (candidato ambíguo), CP (planeta confirmado), KP (planeta já conhecido), FP (falso positivo), FA (falso alarme). (B3)
Dobrar (phase-fold). Sobrepor todos os trânsitos alinhando-os pelo período, como empilhar folhas transparentes. O ruído aleatório se cancela em parte e o trânsito se soma. Gráfico "Trânsito dobrado" do dossiê. (B2, B5)
Dossiê. Relatório HTML que o PlanetHunter gera para um sinal, com parâmetros, gráficos, tabela de vetting, crossmatch e proveniência. Fica em data/dossiers/. (B5)
Duotrânsito. Sinal com só dois trânsitos separados por um intervalo longo (por exemplo, em setores observados com anos de diferença). O período fica ambíguo entre vários aliases. (A1)
Duração (T14). Tempo do início ao fim de um trânsito, em horas. Depende do período, do tamanho e da densidade da estrela e do parâmetro de impacto. (B2, M2)
E¶
Eclipse secundário. Segunda queda de brilho de uma binária, quando a companheira passa atrás da estrela principal; numa órbita circular, ocorre na fase 0,5. O teste secondary só veta se ele for pelo menos 10 % do principal. (B4)
Eclíptica. Plano em que a Terra e os outros planetas orbitam o Sol. Os setores do TESS se organizam ao redor dos polos da eclíptica. (B3)
Efeito Doppler. Mudança na cor (comprimento de onda) da luz de uma fonte que se aproxima ou se afasta, como o tom da sirene de uma ambulância. É a base do método de velocidade radial. (B1)
Efeméride. Previsão de quando os próximos trânsitos acontecem: um período e um instante de trânsito (\(T_0\)). (B2)
Escurecimento de borda. A borda do disco de uma estrela parece mais escura que o centro, porque ali vemos camadas mais altas e mais frias. Isso arredonda o fundo do trânsito. (B2, M2)
Espelho (de catálogo). Cópia local de um catálogo de objetos conhecidos. O PlanetHunter mantém espelhos do NASA Exoplanet Archive, dos TOIs, dos CTOIs, do exoplanet.eu e do catálogo de binárias do TESS; se algum tiver mais de 48 h, nenhum sinal pode ser classificado como novo. (B3, B5)
ExoFOP. Portal de acompanhamento de exoplanetas (exofop.ipac.caltech.edu), com páginas de cada estrela, listas de TOIs e CTOIs, notas da comunidade e submissão de CTOIs. (B3, A6)
ExoMiner. Rede neural da NASA para classificar sinais de trânsito, descrita por Valizadegan e colaboradores em 2022. (A4)
Exoplaneta. Planeta que orbita outra estrela que não o Sol. Em 2026 são conhecidos cerca de 6 400 confirmados. (B1)
exoplanet.eu. Catálogo europeu de exoplanetas, mais inclusivo que o da NASA (cerca de 8 300 objetos). É um dos espelhos do PlanetHunter. (B3)
F¶
Falso alarme (FA). Sinal que não tem origem astrofísica: ruído ou defeito instrumental. (B3, B4)
Falso positivo (FP). Sinal real, astrofísico, que parece planeta mas não é: binária eclipsante, binária de fundo, contaminação. Em uso geral, qualquer sinal que parece planeta e não é. (B4)
Fase. Posição dentro de uma órbita, de 0 a 1. O trânsito fica na fase 0; o meio do caminho entre dois trânsitos, na fase 0,5. (B4)
FFI (Full-Frame Image). Imagem completa de uma câmera do TESS, com todas as estrelas do campo. Cadência atual de 200 s. Permite estudar estrelas fora da lista de 2 minutos. (B3)
Flare. Explosão na superfície de uma estrela que produz um pico rápido de brilho para cima. O PlanetHunter corta picos para cima, mas nunca para baixo. (B4)
Formato em U e em V. Trânsito de planeta tem fundo quase plano (U); eclipse rasante de binária é pontudo (V). Planetas rasantes também fazem V, por isso o teste shape só reduz o score. (B4)
FPP (False Positive Probability). Probabilidade, calculada por um modelo estatístico, de o sinal ser um falso positivo. Abaixo de 0,5, candidato plausível; abaixo de 0,015 (com NFPP abaixo de 0,001 e imagem de alta resolução), nível usado para validar um planeta. O PlanetHunter calcula com triceratops. (A3)
Fusão nuclear. Junção de núcleos leves (hidrogênio) em mais pesados (hélio), com liberação de energia. É o que faz as estrelas brilharem. (B1)
G¶
Gaia. Missão espacial europeia que mediu posição, distância e brilho de mais de um bilhão de estrelas. O PlanetHunter usa o catálogo Gaia DR3 para listar estrelas vizinhas e binárias eclipsantes conhecidas. (A2)
Gigante. Estrela que esgotou o hidrogênio do centro e inchou até dezenas ou centenas de R☉. Esconde planetas pequenos, porque a profundidade cai com o quadrado do raio da estrela. (B1)
GP (processo gaussiano). Modelo estatístico flexível que descreve variações correlacionadas no tempo. É uma alternativa ao biweight para o detrending de estrelas muito variáveis. (A1)
I¶
IC 95 % (intervalo de confiança). Faixa de valores compatíveis com uma medida, dada a quantidade de dados. O recall de 91,1 % do PlanetHunter, medido com 135 objetos, tem IC 95 % de 85,1 % a 94,8 % (intervalo de Wilson). (A5)
Imagem direta. Método de detecção que fotografa o próprio planeta, bloqueando a luz da estrela. Funciona só para planetas gigantes, jovens e distantes da estrela. (B1)
Imagem-diferença. Subtração da imagem fora do trânsito da imagem durante o trânsito. O que "apagou" aparece na diferença e mostra de onde veio a queda. Teste tpf_difference_image. (B4, A2)
Ímpar/par (odd-even). Comparação entre a profundidade dos trânsitos ímpares e dos pares. Se diferem, provavelmente é uma binária com o dobro do período encontrado. Teste odd_even. (B4)
Ingestão. Etapa que baixa as curvas de luz do MAST e as grava em Parquet. Comando planethunter ingest. (B3)
Injection-recovery. Técnica que injeta trânsitos sintéticos em curvas reais, roda o pipeline e conta quantos ele recupera. É como se mede a completude. (A5)
J¶
Júpiter quente. Planeta gigante gasoso em órbita de poucos dias, muito perto da estrela. Foram os primeiros exoplanetas encontrados em estrelas tipo Sol (51 Pegasi b, 1995). (B1)
K¶
Kepler (lei). A terceira lei de Kepler relaciona período e tamanho da órbita: para uma estrela de 1 M☉, \(a^3 = P^2\) com \(a\) em UA e \(P\) em anos. (B2, M2)
Kepler (telescópio). Telescópio espacial da NASA que observou uma região do céu de 2009 a 2018 e mostrou que planetas são comuns. Antecessor do TESS. (B1, B3)
L¶
Lightkurve. Biblioteca Python para baixar, limpar e analisar curvas de luz do Kepler e do TESS. Base da trilha de programação. (M4, P3)
Luz espalhada. Luz da Terra e da Lua que entra nas câmeras do TESS em certas partes da órbita e muda o fundo das imagens. Um dos sistemáticos que imitam trânsitos. (B4)
M¶
M☉ (massa solar). Massa do Sol, cerca de 2 × 10³⁰ kg, usada como unidade para estrelas. (B1)
Magnitude. Escala de brilho invertida: número menor, objeto mais brilhante. Cinco magnitudes correspondem a um fator de 100 em brilho. Ver Tmag. (B3)
MAST (Mikulski Archive for Space Telescopes). Arquivo público da NASA onde ficam os dados do TESS. (B3)
Mediana. Valor do meio quando os dados são ordenados. Menos sensível a valores extremos que a média. (M1)
Microlente gravitacional. Método de detecção em que a gravidade de uma estrela em primeiro plano amplia a luz de outra ao fundo; um planeta causa um desvio breve. O evento não se repete. (B1)
Mini-Netuno. Planeta entre cerca de 2 e 4 R⊕, com atmosfera espessa. Não existe no Sistema Solar, mas é muito comum na galáxia. (B1)
Momentum dump. Acionamento de pequenos propulsores do TESS para descarregar a rotação acumulada nas rodas de reação. O apontamento treme e o brilho salta; no dossiê, aparecem como linhas azuis pontilhadas. (B4)
Monotrânsito. Sinal com um único trânsito observado; o período fica desconhecido. O PlanetHunter veta sinais com menos de 2 trânsitos; monotrânsitos exigem um detector próprio, previsto no plano. (B4, A1)
Multi-setor. Análise que junta os dados de vários setores da mesma estrela. Aumenta o número de trânsitos e permite verificar se um sinal se repete. (B3, M5)
N¶
NFPP (Nearby False Positive Probability). Probabilidade de o sinal vir de uma estrela vizinha conhecida, e não do alvo. Para validar um planeta, a literatura usa NFPP abaixo de 0,001. (A3)
Normal (distribuição). Distribuição em forma de sino que descreve bem o ruído aleatório de muitas medidas. Cerca de 99,7 % dos valores ficam a menos de 3σ da média. (M1)
O¶
Ocultação. Passagem do planeta atrás da estrela. Em planetas muito quentes, como WASP-18 b, a luz do planeta some e aparece uma queda pequena na fase 0,5. (B4, M2)
P¶
P0, P1, P2 (severidade). Prioridade de um candidato novo no PlanetHunter. P0: score ≥ 0,8, vetting aprofundado completo e FPP < 10 %. P1: score ≥ 0,8. P2: score entre 0,5 e 0,8, ou estrela sem raio conhecido, ou estrela que é binária catalogada. (B5, A6)
Parâmetro de impacto (b). Distância do caminho do planeta ao centro do disco da estrela, em unidades do raio da estrela: 0 é central, perto de 1 é rasante. Trânsitos com \(b\) alto são mais curtos e em V. (B2, M2)
Parquet. Formato de arquivo compacto para tabelas, usado pelo PlanetHunter para guardar curvas de luz em data/parquet/. O banco DuckDB (data/planethunter.duckdb) guarda sinais, vetting e candidatos. (B3, P2)
Parsec (pc). Unidade de distância usada por astrônomos, igual a 3,26 anos-luz. (B1)
PDCSAP e SAP. Dois tipos de fluxo nas curvas do pipeline SPOC. SAP é a soma simples da luz numa abertura; PDCSAP é o SAP corrigido de sistemáticos e de contaminação. (M4)
Período (P). Tempo entre dois trânsitos seguidos, em dias. (B2)
Periodograma. Gráfico que testa milhares de períodos e mostra quanto cada um "encaixa" nos dados. Um pico destacado indica um sinal periódico. (M3)
Pixel do TESS. Cada pixel cobre 21″ × 21″ do céu. É grande: cabem várias estrelas, o que causa contaminação. (B3)
Planet Hunters TESS. Projeto de ciência cidadã no Zooniverse em que voluntários marcam trânsitos em curvas de luz reais do TESS. (B5)
Planeta confirmado. Planeta com evidência independente do trânsito, em geral massa medida por velocidade radial. Último degrau da escada. (B3)
Planeta validado. Planeta cuja probabilidade de falso positivo foi mostrada como muito pequena, por análise estatística apoiada em imagens de alta resolução, sem massa medida. (B3, A3)
ppm (partes por milhão). Unidade de profundidade de trânsito. 10 000 ppm = 1 %. (B2)
Profundidade (δ). Quanto o brilho cai no trânsito, em ppm. Aproximadamente \((R_p/R_\star)^2\). (B2)
Proveniência. Registro de onde veio cada resultado: setor, autor dos dados, versão do pipeline e run_id. Permite reproduzir qualquer análise. (B5)
Q¶
QLP (Quick Look Pipeline). Pipeline do MIT que extrai curvas de luz das imagens completas (FFI) do TESS, alcançando muito mais estrelas que as curvas de 2 minutos. (B3)
Qui-quadrado (χ²). Teste estatístico que mede se várias medidas concordam com um modelo, levando em conta os erros. O teste consistency usa essa ideia para ver se todos os trânsitos têm a mesma profundidade. (M1)
R¶
R⊕ (raio terrestre). Raio da Terra, 6 371 km, usado como unidade para planetas. Júpiter tem cerca de 11 R⊕. (B1)
R☉ (raio solar). Raio do Sol, 696 000 km (cerca de 109 R⊕), usado como unidade para estrelas. (B1)
Razão de raios (Rp/R*). Raio do planeta dividido pelo raio da estrela. A profundidade é aproximadamente o quadrado dela. (B2)
Recall. Fração de objetos conhecidos que o sistema recupera. No setor 69, o PlanetHunter recupera 123 de 135 TOIs detectáveis: 91,1 %. (A5)
Robovetter. Sistema automático de vetting do Kepler (catálogo DR25), descrito por Thompson e colaboradores em 2018. Referência para comparar com o vetting do PlanetHunter. (A2)
Ruído. Flutuações nas medidas que não vêm do sinal procurado. Esconde trânsitos rasos. (B2, M1)
Ruído branco. Ruído aleatório e independente de uma medida para outra; diminui com a raiz do número de pontos quando se faz a média. (M1)
Ruído vermelho. Ruído correlacionado no tempo (vizinhos parecidos entre si), que não some ao fazer média. Por isso o PlanetHunter estima erros por blocos de dados, como em Pont, Zucker e Queloz (2006). (M1)
run_id. Código único de cada execução do PlanetHunter, impresso pelos comandos e usado em vet, candidates e no dossiê. (B5)
S¶
Score de vetting. Nota de 0 a 1 do vetting básico. Começa em 1,0; cada teste que falha multiplica por um peso (0,3 a 0,6); um veto zera. Aprovado se ≥ 0,5. É uma ordenação útil, não uma probabilidade. (B4, M5)
SDE (Signal Detection Efficiency). Quanto o pico mais alto do periodograma se destaca do resto, em unidades de desvio padrão. O PlanetHunter exige SDE ≥ 9, que corresponde a uma chance de alarme falso de cerca de 1 em 10 000 segundo Hippke e Heller (2019). (M3)
Segundo de arco (″). Unidade de ângulo: 1/3 600 de grau. A Lua cheia mede cerca de 1 800″; um pixel do TESS, 21″. (B3)
Sequência principal. Fase estável da vida de uma estrela, em que ela queima hidrogênio no centro. O Sol está nela. (B1)
Setor. Bloco de cerca de 27 dias em que o TESS observa a mesma faixa de 24° × 96° do céu. (B3)
Sigma (σ). Símbolo do desvio padrão. "3σ" quer dizer três desvios padrão acima ou abaixo da média: improvável por acaso, mas não impossível quando se fazem muitas tentativas. (M1)
SIMBAD. Banco de dados astronômico (Estrasburgo, França) que diz que tipo de objeto é cada estrela conhecida. O teste simbad_type o consulta. (A2)
Sinal. Queda de brilho periódica encontrada pela busca. Primeiro degrau da escada: ainda não passou por nenhum teste. (B3)
Sistemático. Variação causada pelo instrumento ou pelo processamento, não pela estrela. Exemplos: momentum dumps, bordas de órbita, luz espalhada. (B4)
SNR (razão sinal-ruído). Tamanho do trânsito comparado ao ruído, considerando quantas medidas há dentro dos trânsitos. O PlanetHunter exige SNR ≥ 7,1. (B2, M1)
SPOC (Science Processing Operations Center). Pipeline oficial da NASA que produz as curvas de luz de 2 minutos e 20 segundos do TESS. É o "author" mais usado pelo PlanetHunter. (B3)
Super-Terra. Planeta rochoso maior que a Terra, de cerca de 1 a 2 R⊕. (B1)
T¶
T0. Instante do meio de um trânsito de referência, em BTJD. Com o período, forma a efeméride. (B2)
T14. Ver duração.
Teff. Temperatura efetiva, ou temperatura da superfície da estrela, em kelvin. O Sol tem 5 772 K. (B1)
TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite). Telescópio espacial da NASA lançado em 2018 que observa quase o céu inteiro em busca de trânsitos. Fonte dos dados do PlanetHunter. (B3)
TFOP e TFOPWG. TFOP é o programa de observações de acompanhamento dos TOIs com outros telescópios. TFOPWG é o grupo de trabalho que registra a disposição de cada TOI. (B3, A6)
Threshold (limite). Valor de corte de um teste, como SNR ≥ 7,1. No PlanetHunter, todos vivem em config/thresholds.yaml, versionados e comentados. (B4, A5)
TIC (TESS Input Catalog). Catálogo com mais de 1,7 bilhão de objetos; cada estrela tem um número, como TIC 261136679 (Pi Mensae). Traz também raio, massa e temperatura estimados. (B3)
Tipo espectral. Classificação das estrelas pela temperatura: O, B, A, F, G, K, M, da mais quente para a mais fria. O Sol é G2. (B1)
TLS (Transit Least Squares). Algoritmo de busca de trânsitos que, em vez de uma caixa, usa um modelo realista de trânsito. Publicado por Hippke e Heller em 2019; é o que o PlanetHunter usa. (M3, A1)
Tmag. Brilho da estrela na escala de magnitudes do TESS. Número menor, estrela mais brilhante: 6 é muito brilhante, 13 é fraca. (B3)
TOI (TESS Object of Interest). Candidato oficial anunciado pela equipe do TESS, com número como TOI-144.01. Ainda pode ser falso positivo. (B3)
TPF (Target Pixel File). Arquivo com os pixels ao redor de uma estrela, em cada instante. Permite fazer imagem-diferença e medir centróides. (A2)
Trânsito. Passagem de um planeta (ou outro corpo) na frente de uma estrela, do nosso ponto de vista, causando uma queda de brilho. (B1, B2)
Trânsito rasante. Trânsito em que o planeta só raspa a borda da estrela (\(b\) perto de 1). É curto e em V, e por isso pode ser confundido com uma binária. (B2, B4)
Triceratops. Programa que calcula FPP e NFPP considerando a estrela, os vizinhos do Gaia e o formato do trânsito. Descrito por Giacalone e colaboradores em 2021. (A3)
U¶
UA (unidade astronômica). Distância média entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de km. Usada para o tamanho de órbitas. (B1, B2)
V¶
Variabilidade estelar. Mudanças de brilho da própria estrela: manchas e rotação, pulsações, flares. Removida em parte pelo detrending. (B4)
Velocidade radial. Método de detecção que mede o vaivém da estrela causado pelo planeta, pelo efeito Doppler. Dá a massa do planeta e é o principal método de confirmação. (B1)
Vetting. Bateria de testes para descartar falsos positivos. No PlanetHunter há o vetting básico (sem internet, testes como odd_even, secondary, shape, centroid) e o aprofundado (com internet: imagem-diferença, vizinhos do Gaia, outros setores, FPP). (B4, M5)
Veto. Falha grave num teste do vetting que elimina o sinal na hora, zerando o score. Outros testes só reduzem o score. (B4)
W¶
wotan. Biblioteca Python de detrending, de Hippke e colaboradores, que o PlanetHunter usa com o filtro biweight. (M4, A1)
Z¶
Zona de visão contínua (CVZ). Regiões a até cerca de 12° dos polos da eclíptica, observadas pelo TESS em todos os setores de um ano. Estrelas nelas têm muitos setores de dados: no setor 69, de 10 a 22. (B3)
Zooniverse. Plataforma de ciência cidadã que hospeda o Planet Hunters TESS e muitos outros projetos. (B5)